Para o consultor de Segurança e Educação para o Trânsito, Eduardo Biavati, as palavras-chave são investimento e segurança. Segundo ele, as empresas precisam reinventar políticas de segurança, com novos treinamentos e um trabalho de conscientização de motoristas para dar fim também ao número alto de ocorrências com caminhões.
"Hoje, o setor está numa sinuca: a mão de obra está cada vez mais qualificada em termos educacionais, mas cada vez menos disponível para aceitar as condições oferecidas. A gente ainda vê muitos acidentes com caminhão nas estradas, sabe da extensa jornada de trabalho dos caminhoneiros. Por isso é importante investir em segurança", explicou o consultor, que vai dar uma palestra, amanhã, em Vitória.
Soluções - O primeiro passo para a mudança desse cenário, de acordo com Eduardo, são os cursos de direção defensiva e capacitação, por exemplo. "Adicione a isso treinamento e conscientização permanente, de modo que o motorista se torne responsável por uma cultura de segurança dentro da empresa e, principalmente, nas estradas. Ele tem que perceber que o caminhão maximiza o risco para todo mundo e que as estradas estão sendo invadidas cada vez mais por pedestres, ciclistas e outros usuários."
O superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Espírito Santo (Transcares), Mario Natali, explica que as próprias empresas já chegaram à conclusão de que têm que mudar as atitudes. Elas já não deixam que os motoristas rodem a noite inteira mais, por exemplo.
"Se você analisar os acidentes, devemos relacionar: educação, engenharia e fiscalização. As estradas são ultrapassadas e não comportam o fluxo de veículos. E, apesar de ser o nome das empresas que são colocadas nas boleias dos caminhões, é o próprio homem que conduz que leva toda a responsabilidade. Se ele não for qualificado, tudo vai por água abaixo. A figura do ser humano é importantíssima, ele tem que conhecer os seus limites", destaca Natali.
Acidente mata motorista de caminhão de gás - Um homem que dirigia um caminhão com botijas de gás saiu da pista, capotou e morreu, na tarde de sábado, na Rodovia ES 080, em Águia Branca, Região Noroeste do Estado. Um homem que estava na carona se machucou no acidente e foi socorrido.
Segundo a Polícia Militar, José Luiz Zanon, 54 anos, perdeu o controle do caminhão em uma curva e saiu da rodovia. O veículo bateu em pés de eucalipto antes de parar. Com o impacto, as botijas de gás soltaram-se e ficaram espalhadas pelo chão. O motorista ficou preso às ferragens, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e morreu a caminho do hospital.
Na profissão por falta de opção, ele superou o medo - Ao lado dos amigos de profissão Gilmar Custódio, Vilmar Laurindo e Valdir Ferreira, o caminhoneiro Dario Pereira (de blusa cinza), 47 anos - 25 deles dedicado às estradas - já perdeu um irmão e um tio, ambos também caminhoneiros, em acidentes em rodovias federais. Dario ainda foi assaltado três vezes - em uma delas feito refém. Mesmo assim, não desiste da profissão. "Toda a minha família é caminhoneira. Foi meio falta de opção, não estudei muito, mas sempre gostei de dirigir. E agora meu filho de 21 anos também está entrando no ramo", conta. Se ele tem medo? "Não, já me acostumei a essa rotina", admite.
| Escrito por A Gazeta - ES |
| Seg, 04 de Julho de 2011 |
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