A contabilidade corporativa e governamental deve passar a
refletir os lucros e prejuízos ambientais dentro de uma década, em grande parte
a graças a progressos feitos nesta semana na conferência Rio+20, disseram
apoiadores do plano à Reuters.
Os balanços empresariais e os cálculos do PIB estão
distorcidos porque não mostram a governos, consumidores e gestores os verdadeiros
custos das suas atividades, segundo Pavan Sukhdev, membro do conselho da ONG
Conservação Internacional e ex-executivo do Deutsche Bank.
A principal razão para isso é que as práticas contábeis não
incluem a criação, uso e degradação do ar, da água, das árvores e de outros
"patrimônios naturais", da mesma forma como contabilizam fábricas,
créditos e outros bens, disse ele na quarta-feira.
Sukhdev estima que o setor privado global deixa de
contabilizar 4 trilhões de dólares por ano, ou cerca de 6,7 por cento do PIB
mundial, relacionados ao uso ou poluição de recursos naturais -- pela liberação
de dióxido de carbono ou lançamento de resíduos no ar e água, por exemplo.
"Não podemos continuar fazendo negócios pensando que
estamos agregando valor aos acionistas, e ao mesmo tempo destruindo valor para
os acionistas", disse Sukhdev. "Isso é má gestão".
Bolsas do mundo todo estão desenvolvendo formas de incluir
as emissões de carbono na informação básica que empresas de capital aberto
precisam fornecer aos acionistas, segundo ele.
Os padrões comuns para as empresas mundiais devem estar
disponíveis dentro de três a cinco anos, para serem implementados em cerca de
sete anos.
A contabilidade não deve incluir só a degradação, segundo
ele. "Você poderia ter 10, 20, 30 por cento extras no seu PIB porque iria
finalmente mensurar serviços da natureza", disse Sukhdev. "Mas também
poderia sofrer perdas, pois precisa mensurar o capital natural que é
perdido."
Na quinta-feira, o Banco Mundial disse que 57 países, a
Comissão Europeia e 86 empresas decidiram redigir regras da "contabilidade
do capital natural", para implementar o tipo de mudança que Sukhdev
propõe. O Brasil não participa desse esforço.
Sukhdev trabalha há mais de uma década nessas propostas, e,
ao contrário de muitos ambientalistas, se mostrou otimista com os resultados da
Rio+20.

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